segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ALEMANHA USA RAP PARA ESCLARECER JOVENS SOBRE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Ao som de rap e com apelo emocional, DVD lançado por plano de saúde e agência do governo alemão aquece debate sobre a questão: doar ou não doar? Mas deixa de fora aspectos importantes, como a própria definição de morte.

O ministro alemão da Saúde, Daniel Bahr, mostra com todo prazer seu cartão de doador de órgãos. Ele já o tem há muito tempo, comenta com expressão séria, "não só desde que sou ministro". O tema é importante para Bahr, o que não é de espantar: na Alemanha, 12 mil pessoas aguardam na fila por um órgão, e, segundo estatísticas, a cada oito horas morre alguém que, com um transplante, talvez tivesse chance de sobreviver.

Diante de tal situação, o ministro não pôde deixar de marcar presença no lançamento de um DVD informativo, produzido por um importante plano de saúde alemão, em conjunto com a Central Federal de Educação de Saúde (BzGA, na sigla em alemão).

A finalidade é sensibilizar para o tema os alunos do nível secundário. "Não queremos fazer pressão, mas queremos mostrar que a coisa vale a pena, e que é importante se ocupar da questão da doação de órgãos", observa Bahr, acrescentando que nunca é cedo demais para começar com o trabalho de esclarecimento.

Hip-hop e transplantes

O DVD resultou simpático. O filme principal dura 20 minutos e é apresentado por dois jovens músicos, a cantora Nele e o rapper Bo Flower, que também contribuíram com canções sobre a temática. A frase "Eu te dou meu coração" ganha um novo sentido. Elisabeth Pott, diretora da BzGA, está convencida: "Os jovens desejam ser abordados de forma objetiva juntamente com um componente emocional".

Por isso, o DVD puxa bastante pelo lado das emoções. No filme, um sobrevivente conversa com os estudantes: "Estou aqui como vítima, eu vivo há três anos com o coração de outra pessoa". Os familiares de um falecido tomam a palavra para expressar sua felicidade por haverem decidido liberar os órgãos para transplante.

Os estudantes aprendem que, na Alemanha, aos 14 anos de idade eles podem se manifestar contra a doação – independente da vontade dos pais –, e aos 16 anos decidir a favor da doação de seus órgãos. Além disso, ficam sabendo que estes só são retirados se for constatada morte cerebral - sobre a qual também aprendem.

Ofensiva de informação

Os criadores do DVD asseguram que tudo é apresentado de maneira bem neutra. Na prática, o resultado é uma sugestão – por meios mais ou menos sutis – para que os jovens espectadores providenciem seu cartão de doador.

A ofensiva de informação tem dois motivos, além da carência médica de órgãos para transplante. Por um lado, há o desejo de que a maioria dos alemães finalmente tome a decisão de se tornar doador – até porque nas pesquisas de opinião, a maior parte dos entrevistados se manifesta de forma positiva sobre o tema. Por outro lado, a iniciativa está ligada a uma alteração pendente da lei alemã de doação, exigida pelas novas diretrizes da União Europeia para transplante de órgãos.

Aqui, o ministro alemão da Saúde é a favor de que os planos de saúde consultem ativamente os cidadãos, a fim de obter sua autorização. Cabe combater temores e reservas ainda muito difundidos. O DVD aborda alguns: o medo de que possa existir comércio ilegal de órgãos, ou de que os médicos se precipitem em retirar os órgãos: o material didático responde a todos eles com um decidido "não".

Morte cerebral: uma questão delicada

Entretanto a discussão não acaba aí. Uma das questões mais polêmicas em relação à técnica de transplante sequer é abordada no DVD. Do ponto de vista puramente legal, é considerado morto um indivíduo em que tenha sido constatada a morte cerebral. Esta é a pré-condição para que sequer se possa retirar os órgãos, já que, segundo a lei, eles devem provir de um cadáver.

Mas a morte cerebral significa a morte de uma pessoa? A maioria dos médicos concordaria: afinal de contas, trata-se de um processo irreversível e que torna impossível a interação com o mundo que consideramos vida humana. Mas o corpo ainda está quente, a divisão celular prossegue.

Para o filósofo Ralf Stoecker, a resposta não pode se resumir a "vive" ou "está morto". "Na morte cerebral, apresenta-se de um estado que não corresponde a nossa noção adquirida, nem de morte, nem de vida", explica o catedrático de Ética Aplicada da Universidade de Potsdam. Assim, um corpo mantido em funcionamento por meios artificiais está, de um ponto de vista, vivo, e do outro, morto. "Aqui se trata ainda de um outro estado, e temos que esclarecer de que forma lidar com ele", reflete o especialista em ética.

A discussão sobre o transplante de órgãos cresce na Alemanha, e é bem possível que se torne mais intensa do que esperam os planos de saúde ou os políticos da área.

Autor: Heiner Kiesel (av)
Revisão: Francis França
Fonte - Uol Notícias
23/02/2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

SENADO ENDURECE LEIS SOBRE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS ENTRE VIVOS

O Senado aprovou ontem o projeto de lei do então deputado e hoje senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) que torna mais rígida a lei que trata da doação de órgãos entre pessoas vivas. A proposta, de 2004, foi modificada pela comissão de senadores que examinou o assunto e terá de ser reexaminada pelos deputados.

Modificado no Senado, o artigo 9º do projeto especifica que "no caso de doação dependente de provimento judicial, poderá o juiz, convencendo-se da voluntariedade da doação e do atendimento dos requisitos legais, conhecer diretamente o pedido e conceder autorização, proferindo sentença após a manifestação do Ministério Público". Diz ainda que "quando a matéria não lhe parecer suficientemente esclarecida, o juiz poderá nomear perito para examinar o caso, bem como designar audiência para o esclarecimento da matéria, no prazo máximo de 10 dias".

Na justificativa, Aloysio Nunes explica que a intenção do ajuste na lei é inibir a comercialização de órgãos, tecidos e partes do corpo humano, como determina a Constituição. Citou como exemplo informações que ouviu sobre a doação de órgãos por empregados "pressionados por patrões inescrupulosos", além da compra de cadáveres de indigentes por faculdades de medicina e a retirada de órgãos sem o consentimento de familiares.

Matéria de Rosa Costa
Fonte: Agência Estado - Brasília
09/02/2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CAMPANHA "DOE ÓRGÃOS SALVE VIDAS" NA FEST VERDE EM ITABERÁ

A campanha "Doe Órgãos Salve Vidas", juntamente com seus voluntários, esteve mais uma vez em um evento de grande porte para informar e conscientizar sobre a importância da doação de órgãos.

O evento em questão foi o Fest Verde em Itaberá - MG.













































quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS CRESCE 33% EM JANEIRO EM SP

São Paulo - O Estado de São Paulo registrou em janeiro o maior índice de doações de órgãos do período, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde. Foram feitos 233 transplantes no primeiro mês de 2012 em todo o Estado, com um aumento de 33,3% nas doações, comparado ao mesmo período do ano passado.

Houve 96 doadores em janeiro, contra 72 no primeiro mês de 2011, de acordo com balanço da Secretaria de Estado da Saúde com base nos dados da Central de Transplantes. Foi o melhor janeiro da história em doações e o segundo melhor mês de todos os tempos, perdendo apenas para março de 2010, quando houve 99 doadores no Estado.

Em janeiro foram feitos, no total, 243 transplantes de órgãos, contra 193 no mesmo período de 2011. Houve 10 transplantes de coração, 5 de pâncreas, 162 de rim, 60 de fígado e 6 de pulmão. No primeiro mês do ano passado, foram oito transplantes de coração, 11 de pâncreas, 125 de rim, 48 de fígado e 1 de pulmão. Os dados referem-se a doações de pacientes falecidos.

Solange Spigliatti

Fonte: Uol Ciência e Saúde - Agência Estado
03/02/2012

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MENINA DE 9 ANOS SUPERA COM ÊXITO RARO TRANSPLANTE DE SEIS ÓRGÃOS

Nova York, 5 Fev 2012 - Uma menina de nove anos foi submetida com êxito há alguns dias em Boston a um extraordinário transplante de seis órgãos, que incluiu um raro transplante de esôfago, anunciou o Hospital Infantil da cidade americana.

A pequena Alannah Shevenell tinha desde 2008 um raro e agressivo tumor que se expandiu para o estômago, fígado, pâncreas, esôfago, intestino delgado e baço, até não deixar outra opção, exceto um transplante múltiplo, que aconteceu na terça-feira passada.

"Quando todos os outros tratamentos falharam, o diretor do Centro de Transplante Pediátrico (PTC) do Hospital Infantil sugeriu um transplante múltiplo de órgãos que removeria o tumor e substituiria os seis órgãos afetados por sua presença", afirma um comunicado publicado no site do hospital.

"Sob o comando do cirurgião e diretor do PTC, Heung Bae Kim, cirurgiões do PTC executaram uma intervenção cirúrgica de 14 horas. Uma vez que o tumor de Alannah foi extirpado com êxito, os médicos pegaram os órgãos do doador, que vieram de apenas uma pessoa e foram mantidos juntos, e os transplantaram para a menina", completa o texto.

"O caso da pequena Alannah tornou o PTC do Hospital Infantil de Boston o primeiro centro da Nova Inglaterra a ter transplantado com sucesso seis órgãos em apenas uma intervenção", disse o centro médico.

"Não havia maneira de retirar o tumor sem retirar os órgãos, porque se retirássemos o tumor, os órgãos não receberiam sangue e morreriam", afirmou Bae Kim ao jornal Boston Globe.

"Cada transplante é um desafio. Mas este foi um pouco maior pelo esôfago", completou Kim, ressaltando ainda as "dificuldades para encontrar os órgãos, que deveriam ser do mesmo tamanho e tipo sanguíneo da criança".

A oportunidade surgiu quando a família de um menino recentemente falecido ofereceu a doação dos órgãos para que Alannah tivesse uma segunda chance.

"Como Alannah mostrou, o transplante múltiplo de seis órgãos é possível", destacou o Hospital Infantil de Boston.

A menina retornou para casa no Maine na quarta-feira, depois de passar mais de três meses internada recebendo tratamentos infrutíferos e a operação de transplante final.

Alannah, que mora com os avós em Hollis, uma localidade de 4.500 habitantes no Maine, não terá nenhuma restrição real em termos de atividade, segundo Kim.

No momento, ela toma nove medicamentos diários e é submetida a exames contínuos para controlar os níveis de açúcar. Um tutor trabalha 20 horas por semana na casa da menina para que possa dar continuidade aos estudos.

O sistema imunológico de Alannah é tão frágil que ela não pode ficar em locais com muitas pessoas, como escolas, igrejas ou centros comerciais. Também não pode comer vegetais crus ou frutas, exceto aquelas com casca ou pele muito fina, pelo risco de germes.

Fonte: Uol Notícias
05/02/2012